Preservativos. Vendas em farmácia caíram 40% em cinco anos.

A sida já não estar “na moda” pode ser uma das explicações para a tendênciade descida.

Quando sentiu as vendas em quebra, Luís Cunha, director técnico da farmácia Cardeira, mudou as embalagens de preservativos para perto do balcão. Nos últimos meses, uma campanha de Verão anuncia “pague um, leve dois” e as vendas aumentaram. Em Junho do ano passado saíram 18 embalagens e este ano foram 38. Em Julho de 2011 foram seis, e este ano 58. Sem explicação aparente, como se começou a notar nesta farmácia de Lisboa, a venda de preservativos nas farmácias e parafarmácias do país caiu cerca de 40% nos últimos cinco anos, segundo uma análise do i a partir de dados da consultora IMS Health.

Como não há dados globais que incluam vendas em supermercados e máquinas, não é possível afirmar se os portugueses estão mesmo a comprar menos. Mas pensando que os preços e os locais alternativos de venda não se alteraram assim tanto no último ano, os únicos dados que até ao momento permitem comparações com 2011 – as vendas de Maio e Junho nas farmácias e parafarmácias – consolidam a tendência: nestes dois meses venderam-se menos 14 489 embalagens, uma diminuição de 16,3%.

Eugénia Saraiva, da Liga Portuguesa Contra a Sida, acredita que a diminuição das campanhas de prevenção pode estar a induzir alguma quebra. “Há uma fadiga da prevenção, a sida deixou de estar na moda. As pessoas têm a ideia errada de que a doença estabilizou, de que a infecção, não tendo cura, tem tratamento. É preciso reforçar a mensagem de que ainda é difícil viver com sida. É um vírus social e os tratamentos têm efeitos secundários.” A responsável sublinha, contudo, que as instituições continuam a distribuir preservativos, pelo que, se o motivo for o preço, existem “alternativas”. No centro de apoio integrado em Lisboa mantém-se, contudo, uma distribuição dentro da média, 25 a 30 mil unidades por ano.

Já Maria do Céu Santo, ginecologista e médica no Hospital de Santa Maria, não tem a percepção de que estejam a aumentar as relações desprotegidas: tal como no privado, caíram os pedidos de receitas para a pílula – as clientes optam por ir ao centro de saúde, onde podem levantar o contraceptivo gratuitamente – e pode estar a acontecer o mesmo com o preservativo. “É preciso manter a protecção, até por causa de infecções como as provocadas por tricomonas, mais frequentes. Apesar de não se notar nos jovens, também tem aumentado a infecção por VIH acima dos 50 anos.”

QUEBRA GENERALIZADA Facto é que até Junho as farmácias e parafarmácias venderam 226 mil embalagens de preservativos masculinos, enquanto em 2008 – tendo em conta uma média mensal de vendas – superavam 370 mil. Há, portanto, uma quebra de 40%. A descida tem sido constante desde 2004, quando os dados da IMS Health apontavam para uma venda anual de 853 mil embalagens. Entretanto, a consultora reformulou a base de dados e só disponibiliza informação mensal desde Maio de 2011. Ainda assim, a amostra é comparável com dados de anos anteriores. Considerando informação da IMS Health em 2008, quando a consultora reportou vendas na ordem das 60 mil embalagens por mês, percebe-se a dimensão da quebra: este ano, o mês com menos vendas foi Abril, em que as farmácias e parafarmácias venderam apenas 31 685 embalagens – quase metade. Janeiro é, até à data, o mês com mais vendas (40 555).

O i procurou obter informação junto de grandes superfícies, sem sucesso. A Associação Portuguesa de Empresas da Distribuição informou não ter dados com este detalhe. Contactos feitos junto de duas marcas revelaram-se, para já, infrutíferos. Apesar de a tendência de quebra ser constante há quase uma década, não houve nunca uma avaliação do seu significado – por exemplo, se há um desvio proporcional para outros pontos de venda.

As estatísticas do INE, embora não incluam vendas, sugerem, contudo, uma baixa generalizada. Estamos a importar menos preservativos e a exportar mais. Entre 2008 e 2011, as importações caíram 14% em valor, regressando ao patamar do período 2000/2005 (na casa dos 2 mil milhões). As exportações têm oscilado, mas desde 2008 aumentaram progressivamente, ainda que em 2011 tenham baixado de 702 mil euros para 437 mil.

Fonte: ionline.pt

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